Figuras do Idiota

CEHUM 2014

3-4 Abril 2014

«Figuras do idiota. Literatura, Cinema, Banda Desenhada»

Universidade do Minho | ILCH/CEHUM - Braga

Call for Papers

Deficiência ou impasse da razão, a idiotice situa-se antes de mais no plano das (in)aptidões intelectuais e cognitivas. O idiota não pensa, não raciocina, não compreende, não aprende. Na Idade Média, idiota é um dos nomes que a Igreja dá aos iletrados, aqueles que, limitados ao seu idioma, não acedem à textualidade latina. O/a idiota está excluído/a do campo do saber e do espaço público, confinado/a num idioleto que resiste à comunicação ou a restringe a uma esfera idiossincrática. Mas assim situada na margem, a idiotice dá acesso a zonas liminares de conhecimento, estabelecendo conexões entre categorias que as instituições do saber e do poder separam cuidadosamente: humano e animal, humano e divino, animado e inanimado, estrangeiro e autóctone, masculino e feminino, vida e morte.

Corpo estranho que a racionalidade segrega e não assimila, a idiotice é ausência de relação ao pensar e aparece na figura do ser ausente, abandonado ao vazio, à passividade absoluta, indiferente, apático e inerte. Possuído pelo stupor, o/a idiota é o efeito de um choque que o/a deixou estupefacto/a, estupefeito/a, estúpido/a; imerso/a num torpor que sobrepõe não-pensar e não-ser e o/a instala no limiar letárgico da morte em vida. Mas se a idiotice é o que resta do nada donde provimos e a marca da nossa humilhação original, não será ela também a condição de possibilidade de uma autêntica e intensa relação ao ser? Santidades e genialidades há que se fundam na idiotice. A dimensão moral da pobreza de espírito é igualmente complexa e ambivalente, pois ela aparece associada à inocência, à ingenuidade e à bondade mas também ao mal, à crueldade e à tirania.

Radicalmente singular, o/a idiota atrapalha e incomoda, porque, na sua ignorância e na sua inépcia, é um/a inadaptado/a que não entra ou entra mal no jogo social, bloqueando o automaton das racionalidades, introduzindo ruído na comunicação, avariando a semântica, destabilizando a ordem das coisas. O efeito carnavalesco da idiotice faz dela uma fonte de humor inesgotável e o seu alcance socialmente subversivo investe-a de um valor político que se diz tanto em registo cómico como trágico.

Neste colóquio queremos saber como estas e outras coordenadas da idiotice se configuram na literatura, no cinema e na banda desenhada. Quais as estratégias retóricas, as categorias narrativas, as figuras do imaginário, as dinâmicas intertextuais, intermediais e transficcionais que são mobilizadas para pôr em cena a idiotice? Como lidam estas artes com ela, como é que ela as assombra? Que papel tem a idiotice na imaginação e na criação intelectual e artística?

O colóquio realiza-se a 3 e 4 abril de 2014, no auditório do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, em Braga.

As comunicações não ultrapassam os 20 minutos.

Línguas de trabalho: Português, Espanhol, Francês, Inglês.

As propostas de comunicação (300 palavras no máximo) devem ser enviadas até 1 de janeiro de 2014 para figurasdoidiota@gmail.com

Uma seleção das comunicações apresentadas será objeto de uma publicação específica.

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Informações

Inscrições:
-Com comunicação: 75€ / doutorandos: 50€
-Sem comunicação: 60€ / estudantes: 5€



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