2021/2022

Curso

O hitita, língua indo-europeia escrita em cuneiforme.

Docente: António José Gonçalves de Freitas (CEHUM)



Nº de horas cada módulo: 165 horas

Aulas on-line: 45 (Será usada a plataforma zoom)

Atendimento individual: 30

Trabalho individual do aluno: 90

Propinas:

. Módulo 1: 75 €

. Módulo 2: 75 €

. Módulo 1 + Módulo 2: 120 € (se pagar a propina dos dois módulos no início do Módulo 1)

Horário: 2ª-feira e 5ª-feira 18h00-19h30

1º Módulo: 15-11-2021 a 24-02-2021 (com a interrupção das férias de Natal 21-12-2021 a 02-01-2022)

2º Módulo: 07-03-2022 a 09-06-2022 (com as interrupções para as férias de Carnaval e Páscoa)

Avaliação e certificado

A avaliação final será realizada através de uma tradução comentada de um texto hitita, incluindo a análise linguístico-cultural.

Será emitido um certificado de conclusão do curso mediante aprovação na tarefa de avaliação final; ou apenas de participação.

Inscrição online

Formulário


Descrição do Curso

Nos dias de hoje, os estudos de cultura clássica, fonte da chamada cultura ocidental, não podem dispensar o recuar no tempo e a procura de raízes nas culturas que na idade do Bronze conviveram no mar Egeu e na zona do Levante, sobretudo na península Anatólia. É conhecido que Martin Bernal propôs no seu muito discutido livro Black Athena que as raízes da cultura grega se encontram na Ásia e na África. Independentemente de se concordar ou não com a sua posição, esta trouxe-nos como consequência deixarmos de olhar para a cultura grega como uma cultura isolada de seus vizinhos, o chamado miraculo grego. Este novo paradigma assentou nas bases já estabelecidas pelos avanços atingidos no estudo das civilizações da zona do Levante, da península Anatólia e em geral do mar Egeu. Muitos desses avanços devem-se a achados arqueológicos e deciframento de escritas. De facto, as escavações na Anatólia chamaram à luz um vasto universo de documentos, escritos em hitita, hurrita e luvita e noutras línguas. Além disso, o avanço no estudo das Sagradas Escrituras (documentos de Qumram, tabuinhas em língua Eblaita, e alguns textos dos papiros de Oxyrhyncus) contribuiu de forma significativa para uma melhor hermenêutica dos textos gregos. O descaramento da língua hitita mostra paralelismos entre o Tes̆ub hitita e o Zeus Grego, entre Anu e Ouranos, confirmando-se a ligação entre dois mundos e a revelação da origem não grega de deuses como Apolo, o qual aparece nas tabuinhas hititas como Appaliunas. O que podemos dizer do facto de Apolo, algumas vezes tido como o mais grego de entre os deuses, ter origem oriental? Apolo era protetor dos Troianos e originalmente não-grego. Zeus mesmo responde à invocação de ‘Zeus Ida’, fazendo referência ao monte Ida. Levantam-se questões sobre a relação entre Yahveh, Baal, Zeus e Tes̆ub. E que dizer da filosofia, que, segundo a tradição académica tem origem com Tales de Mileto, cidade chamada Milawanda em hitita, capital do reino de Arzawa? Essas e outras relações serão consideradas e discutidas no decorrer destas aulas. Nela far-se-á uma iniciação ao estudo da língua hitita, passando brevemente por algumas outras línguas do ramo anatólico.

Objetivo geral

Aprender a língua hitita na sua escrita cuneiforme e em transliteração através da leitura de textos originais do 2º milénio a. C.

Objetivos específicos

1. Compreender a relevância do estudo das línguas arcaicas do Egeu para estudo das culturas antigas.

2. Identificar as diferentes línguas do ramo anatólico, nomeadamente, o lício, o lídio, o luvita e o cário.

3. Reconhecer os diferentes sistemas de escrita das línguas anatólicas.

4. Ser capaz de reconhecer as principais formas morfológicas da língua hitita, distinguindo entre formas atestadas e formas reconstruídas.

5. Reconhecer a estrutura verbal hitita.

6. Reconhecer os caracteres cuneiformes.

7. Transliterar exemplos simples de textos hititas em cuneiforme.

8. Traduzir textos transliterados usando análise morfológica e verbal.

9. Reconhecer os acadogramas e sumerogramas presentes em textos hititas.

10. Reconhecer expressões formulares da língua hitita.

11. Comparar e analisar alguns mitos gregos com os seus paralelos noutras mitologias, particularmente a mitologia hitita.


Programa

  • Introdução:

o Os Sumérios.

o Os povos indo-europeus.

o Os povos semíticos.

o Os povos anatólios.

o Sistemas de escrita.

o Pictogramas, Ideogramas e Logogramas.

o Hieróglifos.

o As escritas cuneiformes.

  • Escrita e fonética.

o Escrita

o Fonética

  • O substantivo.

o Derivação.

o Declinação.

o Adjectivos comparativos.

  • Pronomes e numerais.

o Pronomes pessoais.

o Pronomes possessivos e adjectivos.

o Pronomes demonstrativos.

o Pronomes interrogativos e relativos.

o Pronomes indefinidos.

o Os numerais.

  • O verbo.

o Derivação.

o Inflexão.

▪ Voz ativa.

· Verbos em –mi.

· Verbos em –hi.

· Verbos em mi e hi.

▪ Flexão da voz médio-passiva.

▪ O advérbio.

▪ O infinitivo.

  • Sintaxe.

o A concordância.

o O uso dos casos.

o Os adjetivos.

o Os advérbios.

o Os pronomes.

o O verbo.

o A negação.

o A interrogação.

o As partículas.

o As partículas meso-clíticas.

o A oração.

Temas em textos hititas a serem estudados

Módulo 1

1. Šiu e A proclamação de Anitta.

2. O desaparecimento de Telepinu.

3. O festival Puruli e o mito de Uliyanka.

Módulo 2

4. A sucessão no céu.

5. O festival KI.LAM.

6. O Gilǧameš hitita.



Bibliografia

Bibliografía geral

  • Bachvarova, Mary R.; "The Eastern Mediterranean Epic Tradition fromBigames and Akka to the Song of Release to Homer's Iliad" in Greek, Roman and Byzantine Studies 45, 131-53, 2005.
  • Beckman, Gary; Hittite Diplomatic Texts, Scholars Texts, Atlanta, 1996.
  • Bernal Martin; Black Athena writes back: Martin Bernal responds to his critics , Edited by David Chioni Moore, Duke University Press, 2001.
  • Bryce, Trevor; The Kingdom of the Hittites; Clarendon Press, Oxford, 1996.
  • Burkert, Walter; Greek Religion: Archaic and Classical, Oxford, 1987.
  • Dunbabin, Thomas James; The Greeks and their Eastern neighbours, Greenwood Press, Society for the Promotion of the Hellenic Studies, London, 1957.
  • Finkelberg, M.; ‘From Ahhiyawa to Achaioi’, in Glotta 66:127-34.
  • Hawkins, J. D.; 'Tarkasnawa King of Mira. Tarkondemos, Bogazköy sealings and Karabel' in Anatolian Studies, 1998.
  • Hoffner Jr., Harry A.; Hittite Myths, Scholars Press, Atlanta, 1990.
  • Lambert, W. G. and Parker, Simon; Enuma Elis. The Babylonian epic of Creation: the cuneiform text, Clarendon Press, Oxford 1966.
  • Laroche, Emmanuel; Catalogue des textes hittites. Paris: Klincksieck, 1971.
  • Lawlor, Robert; Sacred Geometry: Philosophy and Practice, Thames and Hudson, London, 1982.
  • MacQueen, J. G., The Hittites and their contemporaries in Asia Minor, Thames and Hudson, London, 1996.
  • Melchert, H. Craig; The Luwians, Brill, Leiden Boston, 2003.
  • Mellink, M. J.; 'Archaeological Comments on Ahhiyawa-Achaians in Western Anatolia', AJA 87:138-141, 1983. Mountjoy, P. A.; 'The East Aegean-West Anatolian interface in the Late Bronze Age: Mycenaeans and the Kingdom of Ahhiyawa' in Anatolian Studies, 1998. Muñoyerro, María del Valle; 'Troy and Ilios in Homer: Region and City' in Glotta LXXV, 68-81, 2000.

  • Penglase, Charles; Greek Myths and Mesopotamia: Parallels and Influence in the Homeric Hymns and Hesiod , Routledge, London, 1994.
  • Pritchard, James, Ancient Near Eastern Text Relating to the Old Testament, Princeton, 1969.
  • Puhvel, Jaan; Homer and the Hittites, Innsbruck: Inst. f. Spachwiss. d. Univ., 1991.
  • Semerano, Giovanni; L'infinito: un equivoco millenario. Le antiche civilità del Vicino Oriente e le origini del pensiero greco , Bruno Mondadori, Milano, 2001.
  • Watkins, Calvert; 'The language of the Trojans', pp. 45-62 in Troy and the Trojan War. Ed. By M. J. Mellink. Bryn Mawr: Bryn Mawr College, 1986.
  • West, M. L.: The East face of Helicon: West Asiatic elements in Greek Poetry and Myth, Clarendon Press, 1999.

Língua Hitita .

  • Harry A. Hoffner Jr. and H. Craig Melchert, A Grammar of the Hittite Language, Part I: Reference Grammar, Eisenbrauns, 2008.
  • Jaan Puhvel, Hittite Etymological Dictionary. Berlin: Mouton, 1984-.
  • Dicionários de Hitita do Oriental Institute of Chicago.


Inscrições

Inscrição até ao dia 11 de novembro de 2022. As inscrições apenas são validadas depois de rececionado o comprovativo de pagamento.





Pagamento:

NIB: 0035 0171 00167322630 15 [Caixa Geral de Depósitos]
Nome: UNIVERSIDADE DO MINHO
IBAN: PT50 0035 0171 00167322630 15
BIC/SWIFT: CGDIPTPL
*Por favor envie uma cópia do talão por e-mail para Ana Pereira com o seu nome, NIF e morada: apereira@elach.uminho.pt



Nota biográfica:

O Doutor António de Freitas é investigador contratado do CEHUM (Grupo NETCULT), Assessor Cientifico para a área da Mesopotamia do Museu Calouste Gulbenkian e membro da equipa de escavação arqueológica de Tel Burna (Israel). Fez estudos para o seu Douto-ramento em Cambridge (UK), SOAS (University of London) e Birkbeck College (University of London). Tem sido docente em Portugal, no Reino Unido, nos Estados Unidos da America e no Chile. É um especialista em línguas antigas do Levante, em paleo-efragística, epigrafia e paleografia. A sua área de investigação tem sido definida como arqueologia do pensamento.



Contactos: antonio.defreitas@elach.uminho.pt

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