Apresentação

Durante os últimos anos, o grupo de investigação em Estudos Transculturais (NETCult), sedeado no Centro de Estudos Humanísticos na Universidade do Minho (CEHUM), tem prestado uma especial atenção à relação entre os fenómenos da mobilidade e da memória cultural. Este interesse reflete-se em concreto na organização de duas conferências internacionais sobre o tema, uma primeira em 2010 e outra em 2015, das quais resultaram duas publicações (mulitlingues): Mnemo-Grafias Interculturais / Intercultural Mnemo-Graphies (eds. Matos & Grossegesse 2012) e Amnésia Transcultural. Para uma Cartografia de Memórias Deslocalizadas / Transcultural Amnesia. Mapping Displaced Memories (eds. Matos, Paisana, Esteves-Pereira 2016).

Com o intuito de proporcionar um fórum de debate para o crescente interesse, quer nos estudos de memória, quer nos da mobilidade, gostaríamos de receber na Universidade do Minho, em Braga, estudiosos destas temáticas para integrar uma conferência de dois dias sobre "Mobilidades e Memórias Transculturais".

A investigação sistemática sobre a memória cultural tem um longa história que remonta ao início dos séculos XX e se destaca desde então pela sua inerente transdisciplinariedade. Trata-se de uma vasta área de pesquisa englobando abordagens variadas e múltiplos conceitos, tais como “memória coletiva” (Maurice Halbwachs), “lugares de memória” (lieux de mémoire, Pierre Nora) e “memórias comunicativas” (Jan Aleida Assmann). A terceira conferência internacional da Memory Studies Association, que teve recentemente lugar em Madrid, na Universidade Complutense (25 a 29 de junho 2019), com mais de 1.500 participantes e um programa extremamente diversificado, é uma prova viva do vasto alcance desta área de estudo em franca expansão.

O enquadramento genérico, como sugere o título da conferência, é balizado pelo enfoque no movimento dentro e entre culturas e sua intrínseca relação com a memória. Consideramos esta ligação importante porque no passado, e talvez ainda mais no presente, a mobilidade de indivíduos e grupos, bem como a circulação de representações, conceitos e práticas tiveram/têm um efeito indelével na memória cultural. A mobilidade, forçada ou não forçada, afeta as culturas e suas memórias de várias maneiras. Este fenómeno é central para vários campos académicos que estudam a memória cultural num perspetiva diacrónica e/ou sincrónica (por exemplo, estudos do Holocausto, pesquisas sobre diásporas, migração económica, refugiados políticos, turismo, etc.).

O chamado “mobility turn” iniciou-se nos anos 1990. A importância de estudar “mundos móveis” nas suas mais diversas dimensões e facetas, particularmente os seus aspetos relacionados com a formação, mediação e circulação da memória cultural, foram sendo identificados e abraçados por investigadores de várias áreas académicas, como nos casos do antropólogo James Clifford (Routes. Travel and Translation in the late Twentieth Century, 1997), do sociólogo John Urry (Mobilities, 2007) ou do teórico e crítico literário Stephen Greenblatt (Cultural Mobility: A Manifesto, 2009). Reconhecendo que as pessoas, os objetos e as ideias se encontram desde sempre em movimento, as abordagens preconizadas pelo "mobility turn" marcaram uma mudança significativa na forma como as diversas dimensões da mobilidade foram sendo vistas até então. Com a fase mais recente da globalização, o mobilidade das pessoas, coisas e ideias acontece numa escala massiva alcançando uma dimensão gigantesca: viagens individuais e/ou coletivas em trabalho, atividades turísticas para lazer; migrações forçadas ou voluntárias por razões económicas, políticas ou sociais, todas estas formas de mobilidade são cada vez mais co-determinadas e impactadas pelos média e pelas tecnologias móveis.

Devido a esta omnipresente hipermobilidade, a concetualização da memória cultural também requere novas abordagens teóricas e metodológicas a uma memória que é progressivamente percecionada como estando em movimento perpétuo.

Mais recentemente, esta pesquisa e consequente consciência da dinâmica múltipla inerente a uma "memória (...) que não fica parada, mas circula, migra, viaja"(Bond, Craps, Vermeulen, 2017), foram fundamentadas em termos como "memória global" ou "cosmopolitização da memória "(Beck, Levy, Sznaider, 2009), "memória multidirecional" (Rothberg, 2009), "memória transcultural" (Crownshaw, 2011), "memória itinerante" (Erll) ou "memória transnacional" (de Cesari e Rigney, 2014). Estes conceitos mais recentes relacionados com a memória aludem de uma forma mais ou menos explícita ao que tem sido chamado de "transcultural turn" (Bond e Rapson, 2014), uma viragem que compreende a mobilidade e a memória como dois eixos principais do estudo dos processos culturais em geral.

Ao concentrarmo-nos na dimensão transcultural da mobilidade dentro dos estudos de memória, reconhecemos que o movimento no tempo e no espaço bem como a multiplicidade de mundividências e sua representação em diversas artes e média moldam a memória cultural, ao mesmo tempo que são moldados pela mesma.

Para além de serem bem vindas contribuições sobre outros aspetos temáticos, apela-se especialmente à apresentação de comunicações individuais e/ou de propostas de painéis temáticos com 3 a 4 oradores que discutam os seguintes tópicos:

-Teorias e métodos relativos às relações entre mobilidade e memória cultural;

- Memória cultural no contexto da (i)mobilidade forçada/voluntária (refugiados, exílio; diáspora);

-Mobilidade pós-colonial/subalterna e memória cultural;

- Viagens/turismo e memória cultural/património;

- Lugares transculturais/transnacionais de memória (memoriais, mitos, lendas, etc.);

- Representações de mobilidade e memória cultural em diferentes artes (dança, cinema, literatura, música, pintura, etc.);

- Mobilidade de género e memória cultural;

- Técnicas de recordação e esquecimento e seus efeitos sobre a memória cultural de indivíduos ou grupos em trânsito (storytelling, gravações analógicas e digitais, diários e guias de viagens, etc.)

- Aspectos técnicos/físicos da mobilidade (meios de transporte, rotas, mapas, etc.) e memória cultural;

- Materialidade da memória e mobilidade culturais (museus, feiras/exposições mundiais, etc.)



Para comunicações individuais, é favor submeter resumos de 200 a 300 palavras (incluindo referências bibliográficas), juntamente com o título, 5 palavras-chave, assim como o nome, afiliação institucional, contactos de e-mail e de telefone.

Para propostas de painéis previamente constituídos, os proponentes devem submeter um resumo de 300 a 500 palavras que explique os propósitos do painel, juntamente com um resumo de 200 a 300 palavras para cada uma das 3 a 4 comunicações que compõem o painel, incluindo os títulos, as 5 palavras-chave, assim como os nomes, afiliações e contactos de e-mail e telefone quer dos oradores quer do proponente do painel.



Organizadores:

Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (ILCH)

Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM)

Núcleo de Estudos Transculturais (NETCult)



Palestrantes convidados:

Astrid Erll (Goethe Universität Frankfurt a.M.)

Emily Keightley (Loughborough University)

Irene Flunser Pimentel (IHC - Universidade Nova de Lisboa)

Luísa Afonso Soares (CEC - Universidade de Lisboa)



Comissão organizadora e científica coordenada por:

Mário Matos (matos@ilch.uminho.pt) e Joanne Paisana (jpaisana@ilch.uminho.pt)



Comissão organizadora:

  • Ana Catarina Monteiro
  • António Freitas
  • Georgina Abreu
  • Hugo Machado
  • Jaime Costa
  • Joanne Paisana
  • Jorge Pereira
  • Manuel Gama
  • Maria Manuela Costa
  • Maria Dolores Lerma Sanchis
  • Mário Matos
  • Nadejda Machado
  • Paula Guimarães


Comissão científica:

  • António Freitas
  • Georgina Abreu
  • Jaime Costa
  • Joanne Paisana
  • Jorge Pereira
  • Manuel Gama
  • Margarida Esteves Pereira
  • Maria Dolores Lerma Sanchis
  • Maria Manuela Costa
  • Mário Matos
  • Nadejda Machado
  • Paula Guimarães


Línguas de comunicação: Português, Inglês, Espanhol, Francês.

(Nos casos de comunicações em outras línguas que não o inglês, deverá a apresentação ser acompanhada por um PowerPoint em inglês.)

As propostas de comunicação serão analisadas e selecionadas pela comissão científica. Como está prevista a publicação de um volume (em inglês), depois do congresso, será feita uma seleção criteriosa dos textos a serem submetidos, numa data a anunciar, a uma arbitragem por pares para esse propósito.

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Informações

DATAS IMPORTANTES:

  • Submissão de propostas de comunicação (200 a 300 palavras) e nota biográfica (100 palavras): até 30 de novembro 2019 para o e-mail: netcult@ilch.uminho.pt
  • Notificação de aceitação: até 15 de dezembro 2019
  • Inscrição na conferência (online): até 31 de janeiro de 2020
  • Inscrição na conferência (online) para participantes sem comunicação: até 15 de março 2020 (com taxa de 10€ para emissão de certificado)
  • Divulgação do programa: até 1 de março 2020
  • Taxas de inscrição: 90€ (até 31 de janeiro 2020), 120€ (de 1 fevereiro até 15 de março)
  • Membros do CEHUM e alunos da UMinho: inscrição grátis
  • Conferência 16 e 17 de abril 2020


PAGAMENTOS:

NIB: 0035 0171 00167322630 15 [Caixa Geral de Depósitos]

Nome: UNIVERSIDADE DO MINHO

IBAN: PT50 0035 0171 00167322630 15

BIC/SWIFT: CGDIPTPL

*Por favor envie uma cópia do talão por e-mail para Ana Pereira com o seu nome, NIF e morada:

apereira@ilch.uminho.pt



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Programa

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Contactos

CEHUM:

E-mail: netcult@ilch.uminho.pt

Morada:

Centro de Estudos Humanísticos
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga
Portugal

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